11
de setembro. Uma data muito importante para a Natureza, mas que a grande maioria
nem sabe da existência. É o Dia do
Cerrado que comemoramos hoje. Mas será que há o que comemorar? Ou há, sim,
o que conscientizar?
Em
quase todo o território nacional o que se vê é devastação, com queimadas,
desmatamentos, caça predatória, pesca predatória e uma falta total de
comprometimento com o meio ambiente. Não só da população em geral, mas do poder
público que possui condições de impedir o prosseguimento dessa destruição que
afeta a todos.
A
seguir falaremos um pouco sobre esse bioma tão importante para todos. Pois não
se engane: o que se destrói aqui repercute em qualquer outra parte do planeta,
sempre trazendo mais destruição.
Com
2.000.000 de km², compreendendo grande parte do território brasileiro e
considerado a maior savana do mundo em biodiversidade, o Cerrado é o maior bioma brasileiro em extensão. Está localizado
entre as maiores bacias hidrográficas da América do Sul; São Francisco, Prata e
Tocantins-Araguaia e é isso faz com que a sua biodiversidade seja tão rica.
O
Cerrado brasileiro compreende os estados de Tocantins, Bahia, Amapá, Piauí,
Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e
o Distrito Federal.
Clima
Tropical sazonal e com inverno seco. Esse é o clima predominante do Cerrado. A média
anual da temperatura chega a 25°, mas há registros que chegam a 40° durante a
primavera. A temperatura mínima pode chegar a até menos de 10° nos meses de
maio, junho e julho. Chove uma média de 1.200 a 1.800 milímetros entre os meses
de outubro e abril, sendo que as precipitações se intensificam nos meses de
dezembro e janeiro. Na primavera e no verão ocorrem curtos períodos de seca e
entre maio e setembro os índices pluviométricos desabam e podem chegar a zero.
O
solo resseca bastante nos períodos de estiagem, na sua superfície. Porém
estudos provam que nas camadas mais profundas existe concentração de água,
através da observação das árvores ao perderem líquido no processo de
transpiração.
A
radiação solar é intensa, porém a nebulosidade nos meses chuvosos a reduz
bastante. Com poucos ventos, a atmosfera local é quase parada. Poucos são os
ventos fortes no Cerrado. Apenas no mês de agosto é possível presenciar
redemoinhos a levantar cinzas das queimadas e podem ser vistos de longas
distâncias.
SOLO
Datados do Período Terciário, os
solos do Cerrado são variados. Quase sempre de cor avermelhada, porosos e
também permeáveis e sofrem processo de lavagem
da camada superficial do solo pelo escoamento de águas superficiais,
chamado de lixiviação. Em outras
regiões existem formações de couraças que impedem a absorção da água das chuvas
impossibilitando que se formem vegetações mais exuberantes. Isso também dificulta
que a agricultura se desenvolva no local. É um solo predominantemente arenoso e
argiloso, contendo argila, areia e silte. Isso provoca uma incapacidade do solo
para reter água.
Os
pontos mais elevados do Cerrado atingem de 500 a 1.385 metros. Dentro dessas
medidas podemos encontrar: A Serra dos Pireneus, Chapada dos Veadeiros, Serra
do Jerônimo, dentre outras menores.
São
poucas as áreas planas no Cerrado. O terreno é bastante acidentado e possui
morros onde é possível encontrar bastante pedregulhos. Há cavernas e grutas de
diversos tamanhos, floresta-galeria ao longo de riachos e lagoas.
FLORA
Chapadões
com vegetação esparsa, árvores retorcidas, gramíneas formando um imenso tapete.
Essa é a principal característica da flora do Cerrado. Tudo é muito verde
durante o período de concentração das chuvas nos dias mais longos e quentes do
verão. Diferente do inverno, quando o capim fica mais amarelado e os arbustos
trocam a folhagem.
A
flora do Cerrado é bastante diversificada. O Cerrado é conhecido como a savana
que contém a maior biodiversidade do mundo. Com 11.627 espécies de plantas
nativas, dentre elas 4.400 espécies endêmicas. Podemos citar algumas espécies
nativas: babaçu, guabiroba, buriti, jatobá, macaúba, jabuticaba, pequi,
aroeira-pimenteira, gravatá, cactos, orquídeas e uma infinidade de outras
espécies.
FAUNA
Há
uma abundância de espécies em todos os seus ambientes. Até o momento são conhecidas
1.500 espécies de animais. Entre os vertebrados (aves, mamíferos, peixes,
anfíbios e répteis) e invertebrados (moluscos, insetos etc.). Das 524 espécies
de mamíferos, cerca de 161 estão presentes no Cerrado. O Cerrado abriga 837
espécies de aves (29 endêmicas), 12 espécies de répteis (40 endêmicas), 150 de
anfíbios (45 endêmicas). No Distrito Federal estão presentes 90 espécies de
cupins, 500 de abelhas e vespas e 1.000 espécies de borboletas.
O
Cerrado passa por sérias modificações nos seus diversos habitats devido à ação do
homem. Várias espécies estão ameaçadas de extinção. Dentre elas podemos citar:
O tamanduá-bandeira, o lobo–guará, o falcão-de-peito-vermelho, a anta, o
pato-mergulhão, o tatu-bola, o tatu-canastra, o cachorro-vinagre, o cervo-do-pantanal,
a lontra e a ariranha.
O CERRADO
SOFRE

Em
apenas 50 anos esse bioma já perdeu grande parte da sua biodiversidade. Do seu tamanho
original está hoje reduzido a 41%, dados do Ministério do Meio Ambiente. A expansão
agrícola é o maior causador dessa perda e o extrativismo vem e segundo lugar. A
agricultura, para se expandir, necessita desmatar e é o que vem acontecendo no
Cerrado.
Outro
golpe que vem comprometendo a biodiversidade do Cerrado é gerado pela pecuária.
Os intensos desmatamentos para a criação de pastagens são enormes. Além de
descaracterizar o bioma na sua paisagem, muitos animais correm o risco de
extinção com a perda do seu habitat. O mesmo acontece com as espécies endêmicas de vegetais.
IMPORTÂNCIA
Em
primeiro lugar, pensando no meio ambiente, na biodiversidade, na preservação da
vida, não apenas no bioma, mas em todo o planeta, o Cerrado deve ser defendido
e preservado.
Algumas
espécies nativas de vegetais (mais de 200) possuem propriedades econômicas e medicinais. Das
variadas espécies, algumas já patenteadas por indústrias farmacêuticas, podemos
exemplificar:
·
Barbatimão – árvore cuja casca, folhas e
raízes são utilizadas para a cicatrização de úlceras e feridas;
·
Pacari – árvore cujas entrecascas e folhas
são utilizadas para tratamento de úlceras e gastrites;
·
Rufão – planta que se desenvolve entre
moitas. Suas raízes são utilizadas para fazer chás e garrafadas. Com a raiz
tratam-se anemias e inflamações no estômago e intestinos.
Além
disso, outra importância desse bioma corresponde às populações indígenas. Esses
povos têm nesse bioma o seu sustento. É dele que extraem recursos naturais para
a sobrevivência. O bioma precisa ser preservado para que essas populações consigam
sobreviver. As principais comunidades indígenas que habitam o Cerrado são os
Avá-Canoeiros, Xerentes e os Karajás.
Por Márcio Vieira - Reg. 4430
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