Com capacidade de reprodução três
vezes maior que as espécies nativas, o coral-sol poderá causar sérios problemas
econômicos na região do Recôncavo.
Uma ameaça, no fundo da Baía de
Todos os Santos, põe em risco a biodiversidade nos recifes de corais. É o coral-sol (Tubastrea tagusensis e
Tubastrea coccinea), uma espécie de coral trazido da Ásia, nos anos 1980, que há
dois anos tem se proliferado nas águas Baía.
 |
| Cnidários |
O animal, um cnidário, se
reproduz de forma assexuada, provoca a extinção dos corais nativos e pode
reduzir, em longo prazo, a oferta do pescado na região.
Essa espécie de coral possui três
vezes mais capacidade de se reproduzir do que as espécies nativas e, segundo especialistas,
se não combatida com urgência, causará impacto nas economias de pelo menos cinco
cidades do Recôncavo com Salvador, Itaparica, Vera Cruz, Salinas das Margaridas
e Maragogipe.
Localizado pela primeira vez na
Bahia, em 2008, no naufrágio Cavo Artemidi, o coral-sol vem se proliferando no
recife natural conhecido como "Cascos", sedimentado a 20 metros de
profundidade na costa leste da Ilha de Itaparica (Grande Salvador), a 12 km da
capital, via mar.
Nos recifes artificiais, o
coral-sol já foi encontrado também na marina de Itaparica e nas plataformas da
Petrobrás, no estuário do Rio Paraguaçu, onde fica a Reserva Extrativista
Marinha do Iguape.
Pesquisa
Autor do projeto "Corais da
Baía", o mestrando em Ecologia e Biomonitoramento pelo Instituto de
Biologia da Universidade Federal da Bahia, Ricardo Miranda, 25, tem pesquisado
formas de combater o coral-sol, cuja característica é suprimir as espécies
nativas quimicamente.
Ricardo e o monitor de recifes
de coral da ONG Pró-mar, José Carlos Barbosa, 49, foram os primeiros a detectar
a presença de centenas de colônias do coral-sol no recife natural dos Cascos,
no final de 2011.
"O que pode acontecer é a
evasão de espécies marinhas dos corais, já que o coral-sol, além de não servir
de comida, também come os plânctons que as alimentam", explica o biólogo,
sobre os efeitos na cadeia alimentar.
 |
| Plânctons |
Como parte da pesquisa, financiada
pela instituição inglesa de conservação ambiental Ruffur Foundation, a equipe
do Projeto Corais da Baía tem feito experimentos para combater o coral-sol.
Em um deles, detectou que o coral
Montastraea cavernosa desenvolveu uma estratégia de contra-ataque ao coral-sol.
No outro, identificou o verme-marinho poliqueta-de-fogo (Hermodice curunculata)
como um predador natural do invasor.
"Temos que ampliar os
estudos, porque não podemos simplesmente aumentar o número de vermes sem saber
as consequências", explica ele, cujo projeto será concluído em agosto de
2014.
Remoção manual
 |
Monitor de recifes da ONG Pró-mar, José Carlos Barbosa, trabalha na remoção de colônias.
|
Enquanto as pesquisas continuam
em andamento, a remoção das colônias de coral-sol têm sido feita pelas ONGs de
forma artesanal, com marretas e talhadeiras.
"O coral-sol não é apenas um
bioinvasor, é uma praga", observa o presidente da Pró-mar, José Pinto, 49,
o Zé Pescador, cujo trabalho consiste em educar pescadores para a conservação
da biodiversidade marinha.Ele alerta que a retirada das
colônias invasoras requer treinamento, sob o risco de o coral-sol espalhar
novas larvas, caso seja removido de maneira errada. "Nasce sobre qualquer superfície:
ostras, metal, concreto, fibra de vidro e até na lama", enumera, temeroso
de que o coral-sol se prolifere nos manguezais.
Fonte: Jornal A Tarde